O JARDIM SECRETO DA DONA JACINTA

O JARDIM SECRETO DA DONA JACINTA

Inês Tarouca

Nesta cidade os jardins foram substituídos por prédios, estradas e centros comerciais, pois é onde se fazem coisas úteis para a Economia. E com tantas coisas úteis que há para fazer, parece que o tempo já não chega para nada. Mas esta também é a história de como alguém pode escolher parar e sentir. Alguém que sabe que brincar num jardim, conversar com um amigo e contemplar o pôr-do-sol fazem parte das coisas mais úteis que existem: as que não enchem os bolsos de dinheiro, mas enchem a vida de cor e sentido.

Inspirada no conto “O Jardim Secreto do Sr. Jacinto”, de Manuel Ruas Moreira, “O Jardim Secreto da D. Jacinta” é uma adaptação teatral que conta a história de duas personagens principais: um rapaz chamado André e uma senhora idosa chamada Jacinta, e de como estes desenvolvem uma amizade improvável. Num universo distópico em que as plantas foram proibidas no espaço público e privado por questões económicas pouco transparentes aos seus cidadãos, estas e outras personagens deparam-se com os efeitos de uma sociedade cada vez mais mecanizada para o lucro e para o consumismo, e em que as relações humanas se deterioram na mesma proporção que se deteriora a relação do ser humano com o mundo natural e com a sua própria necessidade de um tempo sem hora marcada para estar com os outros e consigo mesmo. Para além destes dois protagonistas, na peça existem mais 8 personagens: o pai do André, a mãe do André, uma vizinha queixosa, um vizinho pseudointelectual, o político, a jornalista, e dois narradores. O espaço cénico é um elemento com uma enorme importância no desenrolar deste espetáculo, quase como uma outra personagem, pois é a sua constante metamorfose fundida com a ação que transporta o público pelos vários espaços simbólicos deste universo. Pela mão dos dois atores, os elementos cénicos vão sendo manipulados e movimentados de uma forma deliberada e coreografada, de acordo com a dramaturgia escolhida. Alternando entre o papel de narradores, construtores de cenário e personagens integradas na trama, os dois atores assumem-se como veículos da multiplicidade e tridimensionalidade das situações encenadas, essenciais à imersão que se pretende proporcionar ao público.

Direção e Adaptação INÊS TAROUCA
Interpretação e Cocriação DIOGO TOMAZ E INÊS TAROUCA
Música JOÃO CAMACHO COSTA, MANUEL RUAS MOREIRA E INÊS SILVA
Voz INÊS SILVA
Vídeo JOÃO CAMACHO COSTA
Desenho Luz RUI SEABRA
Cenografia LUÍS SANTOS
Assistência à Cenografia ELSA MATOS
Design Gráfico HUGO RIBEIRO
Produção DIOGO TOMAZ E INÊS TAROUCA
Apoios DGARTES/REPÚBLICA PORTUGUESA – GARANTIR CULTURA E PAPELARIA VOGAL

INÊS TAROUCA nasceu em Lisboa em 1978. Licenciou-se na Escola Superior de Dança em 2OO2, completou o One Year Certificate na Contemporary Dance School de Londres em 2OO5, o curso Dança na Comunidade do Fórum Dança em Lisboa em 2OO7, e o curso de Técnica Meisner para atores, por John Frey, em Lisboa, em 2O1O. Atualmente é mestranda em Artes Performativas na Escola Superior de Teatro e Cinema. Como intérprete trabalhou com vários coreógrafos nacionais e internacionais, entre os quais Clara Andermatt, São Castro, Kajsa Wadia e Alleta Collins. Como criadora, estreou “Peça Portátil” em março de 2O11 – inspirada no processo de envelhecimento. Em 2O12 estreia-se como encenadora em “O Jardim Secreto da D. Jacinta”, de que é também autora, coreógrafa e intérprete. Em 2O17 destaca a cocriação “Do Ar e Outros Elementos”, uma peça de teatro-dança para bebés, que estreou no Centro Cultural de Belém. De 2O15 a 2O18 criou várias peças coreográficas infantojuvenis de intervenção comunitária na Fundação CEBI em Alverca, das quais destaca “Paisagens”, que explora o paralelismo entre fenómenos da natureza e a experiência humana; e “XYZ”, um trabalho que pretende levar os jovens a refletir sobre a identidade de género. Em cinema, destaca a curta-metragem “Consequências” de Luís Ismael, com o qual ganhou o prémio de melhor interpretação, em 2O1O, no Festival Internacional de Cinema de Arouca. É também formadora de dança e movimento para atores desde 2OO2. Atualmente dá aulas na Inimpetus Escola de Actores e na EPI – Escola de Imagem e Comunicação, tendo também lecionado na Escola de Dança do Conservatório Nacional, no Conservatório Orfeão de Leiria e na Escola de Dança Vocacional das Caldas da Rainha.

DIOGO TOMAZ nasceu em Abrantes, licenciou-se em Teatro pela ESAD.CR, onde teve oportunidade de estudar na RESAD de Madrid e na ESMAE do Porto. Mais tarde, entra para o mestrado em Teatro – Artes Performativas pela ESTC. Trabalhou com encenadores como Joana Craveiro, André Amálio, Bruno Bravo, Carlos J. Pessoa, Alexandra Espiridião, Fernando Mora Ramos, Diogo Bento, entre outros. Em 2O2O cria o NEO, coletivo artístico onde tem vindo a fazer as suas criações. “Not Enough Oxygen” (2O21) foi a primeira e premiada pelo Amadora Mostra de Jovens Criadores de Teatro e “Fio” (2O22) uma curta-metragem premiada pelo 48h Film Project Lisboa.

LUÍS SANTOS nasceu em Tomar em 1974. Começou a sua ligação com o teatro aos 16 anos com o grupo Fatias de Cá. Fez o bacharelato de Realização Plástica do Espetáculo e a licenciatura em Design de Cena, na Escola Superior de Teatro e Cinema. Em 1997 estagiou no Teatro Nacional D. Maria II, tendo trabalhado em todos os espetáculos dessa temporada teatral. Em 1998 fundou, com Celso Cleto, o “Teatro Público”, tendo sido o responsável pela cenografia e figurinos de todos os espetáculos até 2OO2. Foi, desde 1998 e durante 2O anos, assistente de Cristina Reis, cenógrafa residente e codirectora do Teatro da Cornucópia, em Lisboa, tendo trabalhado em todos os espetáculos da Companhia. Tem trabalhado como cenógrafo, figurinista e aderecista com os seguintes encenadores: Luís Miguel Cintra, Celso Cleto, João Mota, Álvaro Correia, João Ricardo, Diogo Infante, Paula Gomes Ribeiro, Luca Aprea, Carla Lopes, Matilde Trocado, Mário Redondo e João Guimarães. Paralelamente desenvolve trabalhos na área das artes plásticas, fotografia e ensino artístico. É professor na Escola de Artes da Universidade de Évora, Inimpetus – Escola de Actores e na Escola Artística António Arroio.

RUI SEABRA foi residente no Teatro da Cornucópia, desde 2OO3 e até à sua extinção. Realizou desenho de luz para o grupo Drumming na Fundação Calouste Gulbenkian, nas encenações de António Pires em “Romeu e Julieta” e “Biografia de um Poema”, “Ivone”, “Terror e Miséria” e “Troianas”; Ricardo Aibéu em “César Anti-Cristo”, “Tintagil” e “Boda”, Carlos Avilez em “La Traviata”, Dinarte Branco em “César”, Luís Moreira em “Menina Else” e “Invazio ou a Autoridade Mundial em Solidão”, e “Sonho de uma noite de verão” “Muito barulho por nada” “Hamlet” Andresa Soares em “O Esplêndido” e Teatro da Cidade “os Justos ” e “Topografia” ” Karoshi”, Luís Miguel Cintra em “D. João”, “Canja de galinha”, “auéééu” e “Um passo atrás”.

©Fotografia CLÁUDIA LOURENÇO

TEATRO | COM A ESCOLA | EM FAMÍLIA

2O22 | NOV O5 a 2O

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