Esta noite grita-se: Todos os que caem, de Samuel Beckett

ESTA NOITE GRITA-SE: TODOS OS QUE CAEM, De Samuel Beckett

Cepa Torta

Esta noite grita-se é uma iniciativa de leitura pública de textos de teatro que entra agora na sua 3ª temporada, tornada festim. Um festim que celebra o lugar da palavra no espetáculo teatral, o seu som, a sua musicalidade, o seu sabor, o seu cheiro.

Começou informalmente no início de 2017, no Bar Irreal e na Fábrica Braço de Prata, tentado mostrar o entusiasmo com a leitura crua dos textos, evidenciando o potencial do texto dramático sem recurso à encenação. Tentou-se ouvir de perto as palavras dos autores, procurando, talvez, uma maneira diferente de dizer e fazer escutar.

Estas leituras não obedecem por isso ao cânone de “leituras encenadas”. Quere-se partilhar com o público o entusiasmo que um ator sente quando, nos ensaios de mesa, começa a descobrir os cantos e recantos do texto. Quando os diferentes significados começam a emergir e as personagens a ganhar forma dentro da cabeça, surgindo, ainda rudes, na voz dos atores. Sabemos que um texto teatral, apresentado desta forma, é criatura frágil, desconfiada, ambígua por vezes. Mas antes assim, assume-se o risco, prepara-se cada texto em conjunto com os atores e levamo-lo à cena exatamente quando há tantas dúvidas que as precisamos de partilhar com o público. Nas suas primeiras três temporadas, o Esta noite grita-se apresentou um total de 16 textos em 48 sessões espalhadas pelas cidades de Lisboa, Cascais e Montemor-o-Novo, com a participação de cerca de 60 atores, seguidos de perto por um total de quase 2.000 espectadores.

Nesta noite apresentamos “Todos os que Caem”, de Samuel Beckett. Beckett escreveu esta peça radiofónica em 1956, que foi emitida pela primeira vez no “Third Programme” da BBC no início de 1957. A miríade de referências a sons e indicações de cena transportam-nos rapidamente para aquele um universo estranho de personagens arfantes, dobradas pelo destino, algumas disformes e quase grotescas. A história decorre naquela que podia ser uma localização rural qualquer, num caminho entre a casa da protagonista, a velha e gorda Mrs. Rooney, e a estação, à qual se desloca para ir buscar o seu marido cego e doente, que vem de fim-de-semana após uma semana de trabalho. Um carroceiro que oferece estrume, um corretor reformado, um funcionário das corridas de cavalos ou um chefe de estação, cruzam-se com Rooney e em todos os encontros os diálogos são duplos: oscilam arritmicamente entre os assuntos triviais, a taciturnidade e autocomiseração sedenta de afeto. O corpo de Rooney, em decaimento, objetificado, arrasta-nos com ele, no caminho, neste texto sonoro e melancólico, de possibilidades interpretativas infinitas. No meio de tudo isto uma coisa é certa: Está um ótimo dia para as corridas.

Direção FILIPE ABREU e MIGUEL MAIA
Tradução CARLOS MACHADO ACABADO
Interpretação CATARINA WALLENSTEIN, CUCHA CARVALHEIRO, DANIEL MARTINHO, ELMANO SANCHO, FILIPE ABREU, IGOR SAMPAIO e PEDRO CARRACA
Fotografia SÓNIA GODINHO
Design Gráfico EDOARDO U. TRAVE
Apoio ao Design ANA MAIA
Assessoria de Imprensa MARIANA SANTOS
Produção COMPANHIA CEPA TORTA

COMPANHIA CEPA TORTA
A Companhia Cepa Torta é uma plataforma artística que, desde 1999, trabalha na área do teatro e performance. Afirma-se como um conjunto de artistas que colaboram entre si nos diferentes projetos que assentam na criação artística teatral, no trabalho com a comunidade onde se encontra (Marvila), e no serviço educativo – secção O Rebento. Nos seus 20 anos de existência apresentou trabalhos na Malaposta, Teatro Ibérico, Teatro Taborda, Biblioteca de Marvila, Teatro da Comuna, Teatro da Trindade, Teatro da Garagem, Fala-Só, Fábrica Braço de Prata, Bridewell Theatre (Londres), entre muitos outros espalhados pelo país. O trabalho dos Cepa Torta assenta tanto no teatro de repertório (Brecht, Gil Vicente, Raul Brandão, Eurípedes, Tchékhov, Durënmatt), como em criações originais de Miguel Maia e Filipe Abreu. Um dos projetos emblemáticos mais recentes é o Festim de leituras de textos de teatro, Esta noite grita-se , que vai entrar na sua 4ª temporada, e em que já participaram no passado cerca de 60 atores para um total de 16 textos em diversos espaços de Lisboa e no resto do país. Com um coletivo eclético, a companhia tem a ambição contínua de pesquisar formas de fazer, investindo na procura de novas abordagens de encenação e criação. A revisitação do património dramatúrgico clássico, e por isso intemporal, coabita com um interesse contínuo na contemporaneidade e nos dramas da realidade atual. A companhia desenvolve vários projetos em simultâneo numa perspetiva de trabalho em rede com parceiros da área artística, comunitária e educativa. A secção O Rebento desenvolve projetos pedagógicos em Marvila, Odivelas e tem vindo a apresentar espetáculos de norte a sul do país.

TEATRO - LEITURA ENCENADA

NOV 13

SEX – 21H30

CAFÉ-TEATRO

4€ [PREÇO ÚNICO]

60 MINUTOS

M/12

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