TRÊS

TRÊS
[OUTRAS PISTAS]

Groupe Zède

“Três” parte de um conjunto de três mundos distantes onde três seres vagueiam, atravessando diferentes lugares e cores que encontram nos seus trajetos. O mastro chinês empurra-os para convergir um para o outro; é o guia de uma história sem começo nem fim, sem topo nem fundo; e, no entanto, tudo acaba por se ligar.

Os movimentos de um transbordam para os do outro, antes de colidirem com as acrobacias do terceiro. Os acrobatas entendem-se nessa linguagem corporal que constroem não a partir das convergências, mas das diferenças que os ligam.

As relações humanas levam-nos a estados que se transformam até ao ponto do aparecimento de um universo compósito, entrelaçado, um agregado de corpos que procura o seu caminho.

Com um mastro, o chão e uma cenografia minimalista, “Três” leva os corpos a falarem juntos.

Este espetáculo leva o espectador até a um mundo sensível, intenso e terno. Numa viagem criada pela fisicalidade dos três artistas, são usadas ferramentas acrobáticas para se aproximarem uns dos outros. Partindo de uma cena em bruto, vários ambientes vão surgindo e que vêm perturbar a história.

A linguagem dançada é um vocabulário em comum, é o ponto forte das suas expressões em coletivo; a simplicidade do corpo em ação. A interpretação dos três artistas obriga a uma resistência de alto nível acrobático, até à sua exaustão.

Três” joga com o absurdo, os seus encontros e desacordos, a necessidade de ser um só corpo e a necessidade de se encontrar a si próprio.

Nesta travessia, vários procedimentos e dispositivos artísticos levam a uma viagem de estéticas. Como se de um quarto indivíduo tratasse, o mastro chines molda os gestos dos intérpretes, inspira os seus movimentos. O mastro desenha e traça linhas que percorrem a cena. É em cima dele, por baixo dele, à sua volta, que tudo se passa. É um instrumento de passagem, de suporte e de expressividade. Permite aceder ao espaço e transformar os gestos em encontros vertiginosos. Explorar o mastro com o corpo, desenhar na sua verticalidade onde se criam, desfazem e confundem-se as relações.

Ela mergulha nos seus sonhos, perturbada por este mundo que lhe parece totalmente invertido e no qual as questões sociais desarrumam constantemente a sua cabeça.

Na tentativa constante de se adaptar, ele afasta a reflexão e a lógica até explodir a violência do seu fracasso.

Já o outro está lá, não sabemos de onde vem e para quem o tempo se desenvolve sem se aperceber da sua linha cronológica.

Todos se agarram às suas realidades, mas acabam por se deixar levar para um universo a três.

Atravessam os elementos da cenografia, apoiando-se, suspendendo-se, perdendo um bocado aqui e ali. Passando de um ambiente silencioso para um mundo enfurecido.

Três” vive com o quotidiano dos seus ocupantes, alguns objetos são o que permite atravessar o tempo neste espetáculo. Apenas permanecem os corpos, revelando aquilo que não é dito.

Criação e Interpretação JOANA NICIOLI, ANTONIN BAILLES E LEONARDO DUARTE FERREIRA
Criação Sonora ROBERT BENZ
Desenho de Luz ANNE-SOPHIE MAGE
Produção EMILE SABORD PRODUCTION
Produção Executiva SYLVIE SAUVAGE
Coprodução LA BRÈCHE, PÔLE NATIONAL CIRQUE DE NORMANDIE/CHERBOURG-EN-COTENTIN CIRK’EOLE – MONTIGNY-LÈS-METZ ARCHAOS, PÔLE NATIONAL DES ARTS DU CIRQUE MÉDITERRANÉE – MARSEILLE LE PLUS PETIT CIRQUE DU MONDE – BAGNEUX

JOANA NICIOLI, nascida no Rio de Janeiro, Brasil, iniciou a sua formação musical com o grupo Orquestra Pro Arte, o que lhe permitiu atuar ao lado de grandes nomes da música brasileira como Gilberto Gil, João Bosco e Egberto Gismonti. De 2OO9 a 2O13 trabalhou na Companhia Intrépida Trupe – companhia de circo contemporâneo do Rio de Janeiro. Em 2O14, Joana integrou a École Nationale des Arts du Cirque de Rosny-sous-Bois, e posteriormente o Centre National des Arts du Cirque de Châlons-en-Champagne. É intérprete nos espetáculos “La Main de la Mer”, encenado por Gaëtan Levêque, “Ikuemän”, encenado por Rafael de Paula da Cie. du Chaos e “A Corps Perdu” da Cie. Bivouac.

ANTONIN BAILLES, depois de frequentar a escola de circo do Lido de Toulouse como amador, estudou no Centre Régional des Arts du Cirque perto de Lille e na École de Cirque de Lyon. Antonin Bailles integra o Centre National des Arts du Cirque de Châlons-en-Champagne. Paralelamente, trabalha em projetos com as companhias a CAVE e Coïncidence e com encenadores como Gaëtan Levêque. Em agosto de 2O19, Antonin integra a nova criação da companhia MRGée de Marlène Rubinelli Giordano.

LEONARDO DUARTE FERREIRA, nascido em Portugal, Leonardo concluiu o Curso de Interpretação e Animação de Circo na Escola Profissional de Artes e Técnicas do Espectáculo Chapitô, em Lisboa, onde explorou o malabarismo e descobriu a dança e a acrobacia. Em 2O11, trabalhou com a Companhia ADN. Em 2O13 integrou a École Nationale des Arts du Cirque de Rosny-sous-Bois, onde se especializou em acrobacia e mastro chinês. No Centre National des Arts du Cirque de Châlons-en-Champagne. Leonardo desenvolve um trabalho à volta da identidade corporal, em que a relação acrobática com o objeto e o espaço é levada para uma dimensão cinematográfica. Em 2O18, juntamente com Corentin Diana, criou “Wake up!” um espetáculo para o espaço público. É também coautor e intérprete do espetáculo “Vão” da companhia portuguesa Erva Daninha.

O GROUPE ZÈDE reúne três jovens artistas do Centre National des Arts du Cirque de Châlons-en-Champagne: Antonin Bailles, Leonardo Duarte Ferreira e Joana Nicioli. Depois de trabalharem juntos durante três anos e de terem saído com a mostra de fim de curso, “Atelier 29”, dirigida por Mathurin BOLZE da Cie. MPTA, desejam aprofundar as suas pesquisas em torno do mastro e do corpo; assim nasce “Três”, uma criação que entrelaça os seus três universos e o seu desejo de formar um único corpo.

©Fotografia NOÉMI DEVAUX ou TOMÁS AMORIM

NOVO CIRCO | EM FAMÍLIA

2O22 | OUT 15

SÁB – 17H3O

AUDITÓRIO

1O€ | DESCONTOS APLICÁVEIS

55 MINUTOS

M/O6

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