Carmen Sousa & Theo Pascal Duo

CARMEN SOUZA & THEO PASCAL DUO

Uma audição em 1999 para um dos grupos do baixista Theo Pascal marcou o início da carreira de Carmen Souza como cantora. Depois disso, Theo Pascal ajudou a forjar o talento de Souza e juntos criaram um repertório musical que viria a ser incluído em todos os 9 álbuns de Souza. Lado a lado, nos últimos 15 anos deram a volta ao mundo levando o seu som aos mais importantes palcos de World Music e Jazz. Carmen Souza tornou-se a única mulher cabo-verdiana, na história musical deste país a compor, coproduzir e executar na voz, piano e guitarra um repertório totalmente original aliando o dialecto crioulo, os ritmos tradicionais das ilhas e o jazz. Premiada em 2017 com a Medalha de Prata de Mérito Cultural do Governo de Cabo Verde, é uma pioneira musical que jé ganhou 2 Cabo Verde Music Awards, nas categorias de Melhor Artista Feminina e Melhor Morna, e tem sido nomeada para vérios outros Prémios Internacionais. Preparem-se para mais uma viagem conduzida pelo som inconfundível desta dupla pelas paisagens da lusofonia, do crioulo e do seu jazz orgânico, que tanta crítica positiva têm merecido por todo o mundo. Este espetáculo será mais um momento de renovação e reinvenção que não deve perder.

Carmen Souza nasceu em Lisboa (1981) numa família cristã cabo-verdiana. Muito cedo experimentou a sodade, por causa das ausências do seu pai, que trabalhava no mar. Cresceu rodeada da maneira de viver cabo-verdiana, mas em que o crioulo se misturava com o português. Na sua adolescência cantou profissionalmente num Coro Gospel lusófono. Sendo uma pessoa profundamente espiritual, Carmen sempre entendeu a música como a sua missão de vida, sentindo-se privilegiada por ter a oportunidade de se exprimir através dela, trabalhando arduamente todos os dias para merecer essa oportunidade. Na sua procura de uma voz própria foram importantes os músicos Luís Morais e Theo Pascal, mas também ouvir e estudar gravações dos grandes do jazz, como Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Nina Simone, Herbie Hancock, Keith Jarret, Bill Evans, Miles Davies, Horace Silver e outros. Theo Pascal, o seu produtor e mentor, um excelente baixista, descobriu o talento de Carmen e introduziu-a no jazz e noutros sons contemporâneos que muito influenciaram o seu percurso musical. Em 2003, com 22 anos, começou a trabalhar com Theo nos temas que seriam incluídos no seu álbum de estreia “Ess ê nha Cabo Verde”. Carmen queria criar um novo som, usando o crioulo, a partir dos vários que assimilara (música de Cabo Verde, ritmos tradicionais africanos, jazz), um som íntimo e acústico, diferente da música festiva tradicional de Cabo Verde. O disco foi finalmente editado em 2005. Apesar de primeira obra, recebeu inúmeras críticas elogiosas que justificaram o início de uma carreira internacional, atuando no festival Womad desse ano. “Verdade” foi o seu segundo álbum, publicado em 2008, um empolgante e vibrante repertório melódico, também muito bem-recebido pela crítica estrangeira. Em 2010 sai o terceiro álbum, “Protegid”, em que prossegue o seu caminho de fusão, cada vez mais próprio, único, expandindo os limites da música cabo-verdiana, da música do mundo e do jazz. Coproduzido por ela, nele toca guitarra e fender rhodes e assina, em parceria com o Theo, onze dos doze temas incluídos no álbum. Em “Protegid”, a singular abordagem vocal e as corajosas escolhas musicais, justificaram que fosse comparada a cantoras como Billie Holiday, Nina Simone, Cleo Laine, Earth Kitt, Marie Daulne. O seu talento único como cantora e letrista colocou-a num lugar à parte na cena das cantoras cabo-verdianas, ao mesmo tempo que consolidava o seu próprio estilo. O álbum recebeu ainda melhores críticas do que os anteriores. Por todo o mundo a imprensa reconhecia que alguma coisa nova estava a desenvolver-se. O World Music Central – dos mais reputados sites de música do mundo – considerou o CD um marco que iria fazer não só crescer o entusiasmo pela música cabo-verdiana, como refletir sobre ela, repensar tudo o que nos faz gostar dos sons de Cabo Verde. O NPR (outro famoso site de música do mundo) sentenciou: “abre-se uma janela para um outro mundo”; e o The Independent considerou que “a voz poética é tão original, como a voz musical”. Entre outras distinções, “Protegid” foi nomeado para o Prémio dos críticos alemães de discos, entrou nas listas dos melhores do World Music Charts Europe (WMCE) (um site que reflete as escolhas de especialistas em música do mundo de estações de rádio de 24 países europeus), foi pré-nomeado para os Grammy e incluído em numerosas listas dos melhores discos do ano de world music. Entretanto, ainda em 2010, foi reeditado “Verdade”, que também esteve nas escolhas do WMCE. A par do seu trabalho discográfico, desde 2005 que Carmen Souza percorre o mundo em digressões sucessivas, participando em festivais como o North Sea Jazz Festival, o London African Music Festival ou o Laverkusener JazzTage Festival. Vários dos seus concertos foram transmitidos por algumas das mais importantes estações de rádio e televisão. O seu trabalho foi motivo de estudo e investigação por etnomusicólogos. Um deles, Fernando Arenas, da Universidade de Minnesota, publicou “Beyond Independence: Globalization, Postcolonialism, and the Culture of Lusophone Africa”, em que dedica várias páginas a Carmen Souza. O ano de 2011 começou com uma participação especial na RAI UNO, no Concerto da Epifania, transmitido para milhões em Itália, seguido de mais digressões pela Europa, Estados Unidos, Canadá, Brasil, Cabo Verde. Saliente-se que nos EUA cumpriu 14 datas em vários Estados e abriu os festivais de jazz de São Francisco e de Monterey (a sua atuação foi transmitida pela rádio, facto até aí inédito na histíria do Festival), participando também no Festival de Montreal. No início de 2012 Carmen e Theo gravam um dueto ao vivo, em Londres, com versões, muito simplificadas no acompanhamento, de canções de álbuns anteriores. London Accoustic Set foi também muito bem-recebido pela crítica e o público. Metade das receitas das vendas foram entregues às aldeias de Crianças SOS em Cabo Verde e à UNICEF do Brasil. Em setembro de 2012, o seu quarto álbum, “Kachupada”, foi editado em França e na Alemanha. Em França entrou diretamente na lista dos mais vendidos da WMCE e foi nº 1 de vendas na Amazon francesa, sendo distinguido por várias revistas da especialidade. Na Alemanha o disco foi lançado através de uma prolongada digressão e, entre outras distinções, o álbum foi considerado o melhor disco da semana por várias rádios. O concerto que com grande êxito realizou na Culturgest em janeiro de 2014, baseou-se nesse álbum. “Kachupada” valeu a Carmen Souza ter sido distinguida em Cabo Verde com os prémios 2013 para melhor cantora e melhor morna. O concerto que, com Theo Pascal, apresentou em 2014 no Festival de Jazz de Lagny, em França, deu origem a um CD e DVD, “Live at Lagny Jazz Festival”, também recebido com elogios e distinções da crítica. Esteve na lista dos 10 álbuns mais vendidos na Amazon de França e da Alemanha e na Fnac de França. À saída do disco seguiu-se uma digressão de 68 concertos por todo o mundo.

“Epistola” é apresentado em nome dos dois músicos, Carmen e Theo, o que acontece pela primeira vez em anos de trabalho conjunto. Nasceu e foi apresentado em 2015, no Festival Jazzahead de Bremen. O CD foi Álbum da Semana (4 estrelas) do site Music Story, fez parte dos 10 melhores CDs do mês da Mezzo TV, dos dez melhores CDs da semana da estação de rádio nacional Bayern2 Kultur, etc. A gravação ao vivo do concerto de “Epistola” no Festival Jazzahead é então transmitida por grandes rádios como FIP em França, Catalunya Radio em Espanha e RTÉ Lyric fm na Irlanda, etc. A digressão “Epistola 2015/2016” incluiu 76 shows em importantes palcos ao redor do mundo em 19 países diferentes. Carmen Souza fecha 2016 com uma indicação para BEST AFRICAN JAZZ no importante African Awards AFRIMA. O CD “Creology” foi lançado em abril de 2017, com Theo Pascal, e leva a dupla de volta às raízes da música crioula. O álbum recebe críticas incríveis e o público responde com vários shows esgotados ao redor do mundo e entradas em várias listas de CDs dos Melhores de 2017. A digressão “Creology (2017-2019)” superou a anterior, com mais de 100 shows agendados em todo o mundo. Gerhard Kubik é um dos estudiosos mais conhecidos no campo da etnomusicologia e da pesquisa em música, dança e tradições orais de África e das Américas. No final de 2017, Carmen Souza recebe a MEDALHA DE PRATA de Mérito Cultural do Governo de Cabo Verde, reconhecendo oficialmente o seu trabalho na promoção do nome cabo-verdiano a um grande reconhecimento Nacional e Internacional. Em outubro de 2019, foi lançado um novo CD totalmente dedicado a Horace Silver, emblemático e pioneiro pianista de hard bop, chamado “The Silver messengers”. Carmen Souza canaliza a sua herança comum cabo-verdiana / lusófona para lançar uma nova luz ao repertório de Silver. O primeiro single “Soul Searching” foi lançado em junho de 2019 para marcar o 5º aniversário de sua morte e em agosto foi nomeado para o AFRIMA AWARDS 2019 (All Africa). O álbum recebe uma crítica de 4 estrelas na Downbeat Magazine (EUA), é matéria de capa de uma das mais importantes revistas de jazz da Alemanha – Jazzthetik, passando a figurar nas tabelas de imprensa mais importantes da Europa: World Music Charts Europe (Dez2019), Transglobal World Music Charts (Dez2019). É também selecionado como um dos 14 melhores álbuns a serem lançados em novembro de 2019 no Europe Jazz Media Chart (European Jazz Network). Nos EUA, entrou na tabela do Jazz Radio – Jazzweek.com. A imprensa recebe o álbum de braços abertos considerando-o a mais importante homenagem musical a Horace Silver. Inquestionavelmente, Carmen Souza é hoje uma personalidade forte da world music e uma das cantoras de jazz de mais sucesso. Como disse alguém, «Carmen Souza não precisa de decidir se a sua música é jazz ou “Música do Mundo”. O seu estilo é tanto único como convincente e as suas raízes cabo-verdianas são evidentes como o seu desejo de criar uma nova linguagem sob a marca “Música do Mundo”.»

Quem conhece Carmen Souza obrigatoriamente conhece Theo Pascal, baixista e contrabaixista português considerado pela Blitz Magazine um dos melhores dos últimos 30 anos. Referido pela própria como o seu mentor e principal influência, foi Theo quem descobriu o talento de Carmen Souza em 2001 e quem desde então tem acompanhado a artista tanto em estúdio como ao vivo, sendo que os dois dividem todas as composições incluídas nos sete discos lançados até hoje (2005-2019). Mas a sua carreira não se limita à estreita colaboração com Carmen Souza. Gravou em álbuns com artistas portugueses e africanos de Cabo Verde, Moçambique, Angola e Guiné Bissau como, entre outros, Sara Tavares, Ildo lobo, Maria Alice, Eneida Marta, D.Kikas. Trabalhou durante oito anos com Sara Tavares, no início da carreira da cantora, sendo seu diretor musical durante a Tour “Mi Ma bô”. Entre 2001 e 2011, além de gravar dois discos em seu nome, “Quamundo’s” e “Motive”, produziu mais de 20 CDs com artistas portugueses, africanos e brasileiros e foi o mentor de dois programas pioneiros portugueses com o apoio da PT Comunicações e Alcatel Portugal, dedicados à descoberta de novos talentos do nosso país em áreas muito diversas como música do mundo, música africana, jazz, fusão, fado, etc. Criou a sua própria editora discográfica e em 2003 é o primeiro músico Português a assinar com o gigante Publisher Peermusic. Também compôs e assinou a autoria de várias identidades musicais dos canais SIC e RTP. Em 2019, Theo Pascal, juntamente com Carmen Souza e Patricia Pascal, inauguram um novo espaço, estúdio, laboratório / atelier comunitário de artes em Lisboa denominado SESSIONS (thisissessions.com).

MÚSICA

JAN 22

SEX – 21H30

AUDITÓRIO

10€ [PREÇO ÚNICO] 

75 MINUTOS 

M/6

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