Sen.si.ti.vós

SEN.SI.TI.VÓS

A.C.A. – Artistas Contemporâneos do Algarve

“O toque de alguém, dizia ele, é o verdadeiro lado de cá da pele. Quem nunca é tocado não se cobre nunca, anda como nu. De ossos à mostra”
Valter Hugo Mãe

Sensitivos, do latim “sensitu, por sensus”, perceber algo pelos sentidos. Assim esta exposição vem convidar a abrir os nossos sentidos e a sentir todas as emoções que estas obras nos poderão trazer, pois o ponto fulcral em volta do sensível, é o ato de sentir. Pretende-se, através dos sentidos, ligar o interior ao exterior, pois tudo o que conhecemos é por meio deles. Sem si, sem ti e sem vós, assim sem o nosso eu etéreo e térreo não existe a possibilidade de termos ligação aos sentidos, que através deles obtemos as nossas sensações que se ligam às emoções que comunicam ao nosso corpo, dando origem a ideias e decisões que, comunicadas ao corpo (a nossa parte orgânica e a parte que nos sintoniza ao mundo exterior), as pode executar, como por exemplo, caminhos a percorrer e ligações a realizar.
O mundo interior é caótico, pensamentos e emoções chocam uns com os outros, cabe a nós no mundo exterior tentar transformar esses pontos que se aparentam impercetíveis em algo decifrável ao maior número de seres humanos possível; assim, tentamos no mundo físico colocar esse caos numa ordem comunicável sem nos deixarmos deliciar por esse caos. Os ACA são um grupo composto por 4 jovens artistas algarvios, que surgiu em 2018, mas teve a sua primeira exposição coletiva realizada no espaço da Farpa em 2017, na cidade de Faro, sob o convite da Policromia. 
O título ACA dessa exibição foi o que adotaram como nome que os representa hoje. Vindos da mesma base de conhecimento sobre o Mundo artístico através da Universidade do Algarve, pelo curso das Artes Visuais, criam trabalhos multidisciplinares que combinam vários meios, técnicas, formatos e materiais que falam de diferentes referências culturais, com reflexões únicas e singulares, expostas sob a forma de escultura, desenho, pintura, instalação, etc. Cada elemento tem o seu estilo próprio ao que leva a uma criação diversificada, mas que conseguem conciliar num espaço comum. O seu objetivo é divulgar os seus trabalhos e demonstrar que estilos e maneiras diferentes de pensar, conseguem coexistir no mesmo espaço encontrando entre eles pontos de ligação.

GUILHERME GONÇALVES
Quarteira, Algarve, 1993 | Pintura. Desenho. Académico do curso de Artes Visuais, que pertence à Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve e membro do coletivo artístico ARTISTAS CONTEMPORÂNEOS DO ALGARVE. Num primeiro período da sua arte, Guilherme tenta ilustrar personificações que melhor representam a sua origem, força e mais que tudo, a sua determinação. São nas suas pinturas de rostos das quais considera heroicos que, aliada à sua técnica de labor, partilham essa sua mensagem. Cobrindo e raspando de forma incessante essas figuras que detêm histórias de vida, onde do “nada” tornaram-se alguém, inspiram o artista a querer alcançar o que para eles também se achava inalcançável. Estes rostos de passados maioritariamente oriundos das duras ruas do gueto e da cultura Hip-Hop, conseguiram delas fazer vingar o seu talento, negando desta forma a aceitar a resignação do papel que lhes era atribuído pela sociedade em aceitar esses estados de pobreza como algo irrefutável, assim alcançando o estrelato, encorajaram outros a trilhar e a forçar os seus caminhos ao topo. O cobrir dos rostos para depois raspar até à sua superfície, demonstram de forma simbólica a perseverança e o trabalho árduo não só destas figuras como do artista desde da sua fase mais precoce até à sua ascendência no percurso artístico. As texturas sentidas de forma visual e física, originadas pela intensidade da raspagem, têm o intuito de fazer sentir as dificuldades e as descobertas feitas ao longo desse caminho pelo artista. Usando como marca de assinatura apenas dois tipos de cores distintas, Guilherme quer que essa marca um dia se torne reconhecível pelo Mundo inteiro.

HÉLDER DE SOUSA
Faro, Algarve, 1989 | Gravura. Desenho. Pintura. Licenciado em Artes Visuais pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve (2018) e membro do coletivo artístico ARTISTAS CONTEMPORÂNEOS DO ALGARVE. O seu primeiro meio de expressão foi o Graffiti onde, no meio das linhas das urbanizações, tentava encaixar as suas visões. Agora numa linguagem da qual pode chamar sua, equilibra em diferentes tipos de suporte perspetivas de linhas e formas de mundos caóticos, sob a forma bidimensional e tridimensional. Inspirando-se no que antes apenas via como suporte, a arquitetura, passará a objeto de inspiração onde as suas linhas e formas geométricas têm agora como objetivo levar o espectador a um novo ambiente onde poderá alhear-se da realidade em que vive, podendo assim enxergar a essência da simplicidade dos objetos e das suas formas, desta forma o artista quase como usando uma analogia demonstra o meio para atingir a profundidade do ser. Nas suas criações artísticas, seja nos desenhos, pinturas ou nas esculturas, onde enquadra em instalações, usa como materiais os mesmos usados na manufaturação desses mesmos edifícios que tanto preza.

MARGARIDA SOARES
Olhão, Algarve, 1993 | Escultura. Pintura. Desenho. Licenciada em Artes Visuais pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve (2018) e membro do coletivo artístico ARTISTAS CONTEMPORÂNEOS DO ALGARVE. Desenvolveu um trabalho artístico que tem como foco central a figura do corpo nu feminino, de rostos incógnitos e corpos das quais as suas características físicas se encontram intencionalmente exageradas, são exibidas em diferentes posições naturalistas, sem pudor e de formas únicas. Por vezes a artista pega nessa figura e decide descortinar e compartilhar apenas pequenos detalhes da mesma de uma forma delicada, como se dividisse pequenos segredos a descoberto, que de outra forma apenas poderiam ser divididos num momento íntimo. Abordando assim questões que contrastam o sensível/emocional da consciência social, por vezes utiliza a forma corpórea da flor cujos elementos naturais associa aos elementos da imagética dos seus trabalhos, concebendo desta forma uma simbiose entre o corpo e a natureza e a natureza dentro do corpo. Apesar de ter desenho e escultura como vertentes preferenciais, deixa em aberto o interesse em ainda achar novos meios para exprimir-se.

VILMA CORREIA
Faro, Algarve, 1991 | Escultura. Pintura. Desenho. Formada no Mestrado de Comunicação, Cultura e Artes – especialização no estudo da imagem (2018) e licenciada em Artes Visuais (2016), na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve e membro do coletivo artístico ARTISTAS CONTEMPORÂNEOS DO ALGARVE. Os seus trabalhos são inspirados em questões interiores que surgem através das suas experiências de vida, onde no processo criativo tenta resolvê-los. Assim abordando temas que focam a complexidade da natureza humana, o seu comportamento social e as suas inquietações, convidando o espectador a refletir sobre elas e até aceitar várias partes da sua vida, sobretudo aquelas que considera negativas, mas que apenas são naturais de sentir e viver. Usando diferentes tipos de linguagem e técnicas para se exprimir, tem como preferência a utilização da escultura e instalação, onde se notam a presença do barro, mesmo nos trabalhos bidimensionais, pois este elemento orgânico é algo que nos conecta à Terra. Pode sentir-se nas suas obras influências tanto africanas como europeias, pois ambas fazem partes da vida da artista dando origem a peças que têm um toque quase ritualístico.

EXPOSIÇÃO

MAR 06 a 28

TER a SÁB – 14H30 às 18H00

FOYER

ENTRADA LIVRE

M/3

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