Mundo Cão

MUNDO CÃO
“Desligado” - Tour 2019

MÚSICA

OUT 17

QUI - 22H00

AUDITÓRIO

10€ | DESCONTOS APLICÁVEIS

75 MINUTOS

M/6


No seu livro de 1963 chamado “Cat’s Cradle”, o escritor Kurt Vonnegut aborda o tema da livre vontade e da relação do homem com a tecnologia. Fá-lo com a mestria literária que lhe é própria, criando, num país imaginário chamado San Lorenzo, liderado por um brutal ditador de nome “Papa” Montazo, uma religião designada como bakononismo: uma religião baseada no gozo da vida através da criação de pequenas mentiras, designadas “foma”. Os grupos de pessoas que estão verdadeiramente ligadas entre si e ao mundo, ainda que tais ligações não sejam óbvias e formalizadas (podem ser até cósmicas), formam um “karass”, sendo que um “grandfallon” é o seu contrário: é um falso “karass”, ou seja, grupos de pessoas que imaginam que estão ligadas umas às outras, mas que, na verdade, não estão.

Nesta visão ficcional de Vonnegut, a verdadeira ligação das pessoas ao mundo não passa pela forma da ligação, mas pela essência da não-ligação. Impossível não pensarmos nos dias de hoje e no que significa “estar ligado”. Hoje, estar ligado passou a ser um processo tecnológico de mera forma e não, como deveria, um fenómeno humano de substância: hoje ligamo-nos a uma rede social e abstraímos da essência da ligação. Substituímos as emoções, os contactos e os olhares por “likes”, visualizações e “emojis”. Por isso é que para nos ligarmos humanamente aos outros e ao mundo, temos que estar, verdadeiramente, desligados tecnologicamente. Estar desligado, neste sentido, é um processo existencial de verdade. É este o sentido que o termo “desligado” toma no novo trabalho de Mundo Cão. Só estamos verdadeiramente ligados - só somos um karass - se estivermos tecnologicamente desligados.

Foi esta a proposta de conceito que os letristas Adolfo Luxúria Canibal, Valter Hugo Mãe e Carlos Conceição trabalharam, escrevendo, como só eles sabem fazer, sobre as emoções humanas como processo de ligação entre pessoas, começando no amor bocageano de “as mulheres que muito amamos sem regresso nem lamento”, passando pela saudade de uma paixão perdida em “vamos ver os pavões voar”, visitando o enraizamento boémio de um herói numa cidade meretriz, em “cidade lupanar”, ou caindo numa paixão animal e feroz em “ladra até me acordar”; escrevem ainda sobre o supremo prazer de viver o momento em “um fugaz luar”, ou sobre a impossibilidade de um amor possível em “é sempre essa treta do amor eterno que me lixa” ; em <«em>“acerca da cadelita ferida e torta a resvalar para o lado do coração” sentimos com os protagonistas da história que, afinal, o amor nasce do erro; e entramos num festim hedonista e dionisíaco em “um milhão a render”, para, de seguida, encontrarmos o amor como refúgio para um passado de sofrimento e dor, em “Meu grande amor”, terminando com o prazer carnal de uma paixão desequilibrada, em “paixão malsã”.

Tudo começou com um convite feito por Miguel Pedro (baterista e cofundador de Mão Morta) a Pedro Laginha (ator e vocalista de diversos projetos, entre eles Noblesse Oblige e The Spleen), para vocalizar alguns temas que ele havia composto. O Pedro aceitou e, em poucos meses, perceberam que o projeto poderia crescer para algo muito mais do que uma mera participação a dois. Convidaram então, Vasco Vaz (guitarrista de Mão Morta, Braindead), Budda (guitarrista) e Canoche (baixista), para integrarem a banda e, após alguns ensaios, a vontade de crescer chegou: Mundo Cão havia nascido.

A ideia que esteve sempre subjacente aos Mundo Cão, foi a de tentar aliar o rock de canções à poesia de qualidade, pelo que foi desde o início sua intenção, chamar a colaborar com a banda, letristas e escritores de renome e mérito reconhecido que conseguissem assegurar que pudessem cantar em português melodias de traço anglo-saxónico (pois o rock tem tal genealogia).

A primeira escolha foi óbvia: convidar Adolfo Luxúria Canibal, companheiro de jornada de Miguel Pedro desde os inícios de Mão Morta. A escrita de Adolfo e o seu conhecimento profundo da linguagem rock, asseguravam o casamento pretendido entre a canção/rock e a letra em português.

Desta colaboração nasceu o primeiro disco, sem nome de capa, editado em 2007. Para o segundo disco, os Mundo Cão mantiveram a colaboração com Adolfo Luxúria Canibal e convidaram Valter Hugo Mãe a escrever algumas letras. O disco "A Geração da Matilha" foi editado em 2009 e consolidou a banda no panorama musical português. No terceiro disco, o leque de letristas aumentou, juntando-se à “matilha” José Luís Peixoto. A união entre o rock e a poesia portuguesa de qualidade tornou-se a imagem de marca da banda. O terceiro disco foi editado em 2013.

Após um período de interregno a banda regressa em 2018, com o disco “Desligado”, “um disco maduro, de sombras e luz, envolto em ambientes densos e que vive da dualidade entre matizes introspetivas e outras mais expansivas e até coloridas. É um regresso ao formato da melodia da canção rock, explorando ambiências mais eletrónicas. Uma obra que ganha sentido se for ouvida de princípio a fim, música atrás de música, recusando o padrão da escuta breve e simplista que é típica dos dias de hoje. Conta com letras de Adolfo Luxúria Canibal, Valter Hugo Mãe e Carlos Conceição.

A provar que o rock continua mais vivo do que nunca, os Mundo Cão voltam às lides musicais com um novo espetáculo, onde integram alguns dos seus clássicos como “Ordena que te ame”, “Morfina”, “Anos de Bailado e Natação” “Caixão da Razão”, assim como alguns temas do novo disco, criando um concerto com uma atmosfera única no rock nacional.

Bateria MIGUEL PEDRO
Voz PEDRO LAGINHA
Guitarra elétrica VASCO VAZ
Baixo CANOCHE
Teclados FRED
Som NUNO COUTO
Iluminação VÍTOR AZEVEDO
Road Manager MÁRIO CASTRO
Roadie TOGA
Booking RADAR DOS SONS
Management PAULO PATO
Foto JORGE BUCO