O REI IMAGINÁRIO
Companhia Cepa Torta

TEATRO

DEZ 8 e 9

SEX e SÁB – 21H45

CAFÉ TEATRO

5€ [PREÇO ÚNICO]

25 MINUTOS

M/12
Bilhetes também disponíveis em:


Texto escrito por Raul Brandão (1867-1930), O Rei Imaginário foi publicado em 1923 pela Renascença Portuguesa juntamente com as peças O Gebo e a Sombra e O Doido e a Morte.
Autor finissecular, a obra literária de Brandão está carregada de um sentimento decadentista-simbolista expressivo, em particular no desencanto com a realidade, pela rotina dos dias. O estado de inquietação refletido pela sua escrita revela a desconfiança e a descrença no pensamento positivista na transição para o século XX; para muitos, onde se incluiu Brandão, urgia a criação de uma nova ordem moderna.
As personagens deste autor e as respetivas máscaras podem ser consideradas enquanto produto expressivo desse desconforto de fim de século: o tempo em que a notícia da morte de Deus (F. Nietzsche) conduziu a um desamparo moral e existencial na sociedade ocidental. É nesse sentido que Brandão afirma que "a nossa época é horrível porque já não cremos e não cremos ainda. O passado desapareceu, do futuro nem alicerces existem" (Memórias, 1919).
O solilóquio psicótico d'O Rei Imaginário revela-se enquanto exercício dramático deste sentimento trágico da vida transversal em toda a obra brandoniana. Teles, magistrado que se vê confinado às paredes de um calabouço, lança palavras que ecoam em clausura, vãs: nascido de uma família ilustre, caiu depois em desgraça.
Partindo desta premissa, a personagem estabelece um discurso múltiplo e fragmentário, desconexo; Teles enfrenta assim a solidão correndo atrás do sonho, uma evasão criada pela ilusão – enfim, um mecanismo anestesiante que permite expelir a dor da existência.
No ano em que se celebram 150 anos sobre o nascimento de Raul Brandão, oiçamos o eco de Teles, o rei absoluto.

Texto RAUL BRANDÃO
Direção LEONOR BUESCU
Interpretação MIGUEL MAIA

 
RODAPÉ